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Organograma empresarial: tipos e como montar em uma pequena empresa

Ilustração de um organograma empresarial com direção e áreas comercial, operacional e administrativo-financeira

Conforme uma pequena empresa cresce, algumas dúvidas começam a aparecer com mais frequência: quem responde por determinada atividade? Quem pode aprovar uma decisão? Onde termina a responsabilidade de uma área e começa a de outra? Quando essas respostas existem apenas na cabeça dos sócios ou dependem de conversas informais, a operação tende a ficar mais confusa.

O organograma empresarial ajuda a visualizar cargos, setores, níveis de liderança e relações de subordinação. Porém, para ser realmente útil, ele precisa representar o trabalho como acontece na prática, inclusive quando uma mesma pessoa acumula funções, algo comum em negócios menores.

Também é importante não confundir o desenho com a própria estrutura organizacional da empresa. O organograma é uma representação visual dessa estrutura, mas não substitui a definição de responsabilidades, processos e critérios de decisão.

Ao longo deste artigo, você conhecerá os tipos de organograma mais utilizados, entenderá qual formato pode fazer sentido para uma pequena empresa e verá um passo a passo para construir um modelo simples, claro e coerente com a operação.

O que é um organograma empresarial?

O organograma empresarial é uma representação visual de como os cargos, setores e relações de liderança estão organizados dentro de uma empresa. Por meio de caixas, linhas e diferentes níveis, ele ajuda a identificar quem ocupa cada posição, a qual área essa posição pertence e para quem ela responde.

Na prática, o documento funciona como um mapa da organização formal. Uma pessoa que acabou de entrar na empresa, por exemplo, pode consultá-lo para entender quem lidera sua área, quais setores existem e como as equipes se relacionam. Para quem já trabalha no negócio, o organograma também pode tornar mais claros os caminhos de orientação, aprovação e tomada de decisão.

A Microsoft define o organograma como um diagrama de hierarquia utilizado para mostrar as relações entre profissionais, cargos e grupos. Dependendo do objetivo, o desenho pode representar toda a empresa ou apenas uma área específica.

Em uma pequena empresa, esse mapa não precisa ser complexo. Um organograma com poucas áreas e informações bem escolhidas costuma ser mais útil do que um documento cheio de níveis, cores e conexões que ninguém consegue interpretar. O mais importante é que ele represente o funcionamento real do negócio.

Qual é a diferença entre organograma e estrutura organizacional?

Embora estejam diretamente relacionados, organograma e estrutura organizacional não são a mesma coisa.

A estrutura organizacional da empresa corresponde à maneira como atividades, responsabilidades, autoridade e comunicação são distribuídas. Ela existe no dia a dia, mesmo quando nunca foi formalizada em um documento.

O organograma é a representação visual de parte dessa estrutura. Ele procura mostrar, de maneira simples, como cargos e áreas estão ligados. Por isso, desenhar algumas caixas não é suficiente para organizar uma empresa que ainda possui responsabilidades confusas ou decisões excessivamente concentradas.

Imagine um negócio no qual todas as aprovações dependem de uma única pessoa. O organograma pode mostrar que essa pessoa ocupa a direção, mas não explica quais decisões poderiam ser delegadas, quais critérios deveriam ser utilizados ou como cada processo deve funcionar. Essas definições dependem de um trabalho mais amplo sobre a estrutura e a gestão da empresa.

Em resumo: a estrutura é a forma como a organização funciona; o organograma é um dos recursos utilizados para visualizar esse funcionamento.

O que deve aparecer em um organograma?

As informações incluídas podem variar conforme o tamanho da empresa e a finalidade do documento. Em geral, um organograma empresarial apresenta:

  • os cargos ou funções existentes;
  • os setores ou departamentos;
  • as posições de liderança;
  • os diferentes níveis hierárquicos;
  • as relações de subordinação;
  • as conexões entre áreas ou equipes.

Também é possível incluir os nomes das pessoas que ocupam cada posição. Essa escolha pode facilitar a comunicação interna, mas exige atualizações sempre que alguém muda de cargo, entra ou sai da empresa.

Para análises de estrutura, pode ser mais útil criar primeiro uma versão baseada em cargos e funções, sem depender dos nomes das pessoas atuais. Isso evita que o desenho seja limitado pela equipe disponível naquele momento e ajuda a identificar posições acumuladas, responsabilidades sem responsável e necessidades futuras.

O organograma também não precisa apresentar todas as tarefas realizadas por cada pessoa. Quando informações demais são colocadas dentro do desenho, ele perde sua principal função: permitir uma leitura rápida da organização. Detalhes sobre atividades, entregas e níveis de autoridade podem ser registrados em descrições de cargos, procedimentos e outros documentos de gestão.

Por que uma pequena empresa precisa de um organograma?

Em uma empresa pequena, é comum que as pessoas trabalhem próximas, conversem diretamente e resolvam boa parte das demandas de maneira informal. Essa proximidade pode dar a impressão de que um organograma é desnecessário. Afinal, todo mundo sabe quem faz o quê, ou pelo menos parece saber.

O problema costuma aparecer quando a empresa cresce, contrata novas pessoas ou passa a lidar com um volume maior de decisões. Atividades começam a se sobrepor, dúvidas chegam sempre aos sócios e algumas responsabilidades ficam sem uma definição clara.

Um organograma simples ajuda a tornar visível aquilo que antes dependia apenas de acordos informais. Ele permite identificar quem lidera cada área, como os setores se relacionam e por onde devem passar orientações, aprovações e decisões.

Entre os benefícios mais relevantes para uma pequena empresa estão:

  • deixar mais claras as relações de liderança;
  • facilitar a delegação de atividades;
  • reduzir dúvidas sobre quem deve tomar cada decisão;
  • apoiar a integração de novas pessoas;
  • identificar cargos ou funções concentrados em uma única pessoa;
  • perceber áreas sem liderança ou responsabilidades sem responsável;
  • preparar a estrutura para futuras contratações.

Considere uma empresa na qual os sócios acompanham vendas, atendimento, financeiro, compras e operação. Enquanto o negócio tem poucos clientes, essa concentração pode parecer administrável. Com o crescimento, porém, todas as decisões continuam chegando às mesmas pessoas, que passam a trabalhar de forma reativa e têm menos tempo para cuidar da estratégia.

Ao representar essa estrutura em um organograma, fica mais fácil visualizar a centralização. O desenho pode mostrar, por exemplo, que todas as áreas respondem diretamente à direção e que ainda não existem lideranças intermediárias ou responsabilidades delegadas.

Isso não significa que a empresa precise criar cargos apenas para preencher o documento. O objetivo é reconhecer a situação atual e entender quais ajustes podem ser necessários conforme o negócio evolui.

O organograma também pode ajudar na comunicação com quem está chegando. Em vez de depender exclusivamente de explicações informais, uma nova pessoa consegue visualizar quais áreas existem, a quem deve recorrer e como sua função se relaciona com o restante da organização.

Outro ganho importante está na identificação de sobreposições. Quando duas pessoas acreditam ser responsáveis pela mesma decisão, podem surgir retrabalho e conflitos. Quando ninguém se considera responsável, a atividade pode ser adiada ou esquecida.

Ainda assim, o organograma não corrige sozinho problemas de gestão. Ele pode revelar que uma responsabilidade está confusa, mas não define como cada atividade deve ser executada. Por isso, sua elaboração precisa estar conectada à descrição dos cargos e à organização dos processos.

Quando a empresa também enfrenta tarefas duplicadas, falhas de comunicação ou etapas que dependem sempre de uma mesma pessoa, pode ser necessário analisar as consequências da falta de gestão de processos e revisar como o trabalho circula entre as áreas.

Para uma pequena empresa, portanto, o melhor organograma não é necessariamente o mais detalhado. É aquele que ajuda as pessoas a entender a organização, tomar decisões com menos dependência e perceber onde a estrutura ainda precisa amadurecer.

Quais são os principais tipos de organograma?

Existem diferentes tipos de organograma, e cada um destaca uma característica da empresa. Alguns deixam a hierarquia mais evidente; outros valorizam a divisão por áreas ou mostram como as pessoas participam de projetos que atravessam vários setores.

Essas classificações não são totalmente rígidas. Uma empresa pode ter, por exemplo, uma estrutura funcional representada em um desenho vertical. Por isso, mais importante do que escolher um nome é garantir que o modelo mostre com clareza como a organização realmente funciona.

Para pequenas empresas, quatro formatos costumam ser especialmente úteis.

Organograma vertical ou hierárquico

O organograma vertical apresenta os níveis de autoridade de cima para baixo. A direção aparece na parte superior, seguida pelas lideranças, áreas e demais posições.

É um dos modelos mais simples para visualizar quem responde a quem. Em uma pequena empresa, a estrutura pode começar com os sócios ou a direção e se dividir, por exemplo, entre comercial, operações e administrativo-financeiro.

Esse formato pode funcionar bem quando:

  • cada pessoa possui uma liderança direta;
  • as decisões seguem uma cadeia de comando definida;
  • a empresa precisa deixar mais claras as relações de subordinação;
  • existem poucos níveis hierárquicos.

A principal vantagem é a facilidade de leitura. Mesmo quem ainda não conhece a empresa consegue identificar rapidamente as posições de liderança e o caminho formal de comunicação.

O cuidado está em não transformar o desenho em uma sequência excessiva de níveis. Uma empresa pequena não precisa criar coordenações, gerências ou diretorias apenas para deixar o organograma visualmente mais completo. Cada posição representada deve corresponder a uma necessidade real da operação.

O organograma vertical também pode reforçar uma centralização que já existe. Se todas as áreas estiverem ligadas diretamente aos sócios, o desenho tornará essa dependência mais visível, mas não resolverá o problema sozinho.

Organograma funcional

O organograma funcional agrupa cargos e atividades de acordo com sua especialidade. Em vez de organizar a empresa por produto ou projeto, ele apresenta áreas como:

  • comercial;
  • marketing;
  • operações;
  • atendimento;
  • recursos humanos;
  • administrativo;
  • financeiro.

Esse modelo é útil quando as pessoas exercem atividades relativamente bem definidas e podem ser reunidas em áreas de conhecimento ou responsabilidade.

Em uma pequena empresa, nem todas essas áreas precisam existir como departamentos independentes. É possível que a mesma pessoa cuide do administrativo e do financeiro, por exemplo. Ainda assim, representar as funções separadamente ajuda a mostrar que existem responsabilidades diferentes, mesmo quando estão concentradas em uma única posição.

A organização funcional também facilita a identificação de lacunas. Se a empresa possui atividades comerciais, mas ninguém aparece como responsável por elas, o desenho pode revelar que essa função está sendo realizada de maneira informal ou dividida entre várias pessoas.

Esse tipo de estrutura precisa considerar as particularidades da operação. Uma clínica, uma indústria e uma empresa de serviços podem ter áreas e relações muito diferentes. Em segmentos específicos, como mostra o conteúdo sobre estrutura organizacional em hospitais veterinários, o desenho deve acompanhar os processos, as responsabilidades técnicas e o funcionamento cotidiano do negócio.

O principal risco do modelo funcional é criar áreas muito isoladas. Quando cada setor olha apenas para suas próprias atividades, podem surgir dificuldades de comunicação e transferência de responsabilidades. Por isso, o organograma deve ser complementado pela definição de como as áreas trabalham juntas.

Organograma horizontal

O organograma horizontal, também chamado de plano, reduz a quantidade de níveis hierárquicos apresentados. Em vez de várias camadas de liderança, ele costuma mostrar uma direção e equipes com maior proximidade entre si.

Esse formato pode representar empresas que possuem poucas lideranças intermediárias, comunicação direta e maior autonomia entre as pessoas. É comum que desperte interesse por parecer mais simples e menos rígido.

Porém, ter um organograma horizontal não significa que todas as pessoas possuem exatamente a mesma autoridade ou que as decisões acontecem sem responsáveis definidos. Mesmo em uma estrutura com poucos níveis, é necessário esclarecer:

  • quem orienta cada atividade;
  • quem acompanha as entregas;
  • quem pode aprovar decisões;
  • quais assuntos precisam ser levados à direção;
  • quais responsabilidades pertencem a cada função.

Uma pequena empresa pode utilizar esse modelo quando a equipe possui boa autonomia e as relações de responsabilidade são claras. Caso contrário, a retirada visual dos níveis hierárquicos pode aumentar a confusão em vez de tornar a empresa mais colaborativa.

Também é importante não escolher um organograma horizontal apenas porque ele parece mais moderno. O desenho precisa representar a forma de trabalho existente ou a estrutura que a empresa está realmente preparada para adotar.

Organograma matricial

O organograma matricial é utilizado quando uma pessoa responde a mais de uma referência de liderança. Isso pode acontecer quando ela pertence a uma área funcional e, ao mesmo tempo, participa de um projeto coordenado por outra pessoa.

Imagine uma profissional de marketing que responde à liderança de sua área, mas também trabalha em um projeto de lançamento coordenado por uma pessoa responsável pelo projeto. Nesse caso, existem duas relações diferentes:

  • a liderança funcional acompanha conhecimentos, rotina e responsabilidades da área;
  • a liderança do projeto coordena prazos, prioridades e entregas daquela iniciativa.

Esse modelo pode facilitar o compartilhamento de profissionais entre projetos e áreas. Entretanto, também é mais complexo. Quando os limites de autoridade não estão claros, a equipe pode receber orientações conflitantes ou ter dificuldade para definir qual demanda deve ser priorizada.

Por isso, o organograma matricial tende a funcionar melhor quando a empresa possui:

  • projetos que envolvem diferentes áreas;
  • responsabilidades claramente documentadas;
  • lideranças preparadas para trabalhar em conjunto;
  • critérios definidos para estabelecer prioridades;
  • canais de comunicação e acompanhamento consistentes.

Para muitas pequenas empresas, esse modelo pode ser mais complexo do que o necessário. Se a operação é simples e cada pessoa possui apenas uma liderança direta, um organograma vertical ou funcional tende a oferecer uma leitura mais clara.

A estrutura matricial não deve ser adotada apenas para representar participações pontuais em reuniões ou tarefas. Ela faz sentido quando a atuação por projetos faz parte da organização do trabalho e cria relações permanentes ou recorrentes de responsabilidade.

Qual é o melhor organograma para uma pequena empresa?

Não existe um único modelo de organograma que funcione para todas as pequenas empresas. A escolha depende de como o trabalho está dividido, de quem toma as decisões e do que o documento precisa tornar mais claro.

Segundo a Microsoft, o formato mais adequado varia conforme a organização, o público que consultará o documento e a informação que se pretende comunicar. Por isso, o modelo deve ser escolhido depois de analisar a operação — e não apenas pela aparência do desenho.

Na maioria das pequenas empresas, o melhor ponto de partida costuma ser um organograma vertical ou funcional simples.

O modelo vertical facilita a visualização das relações de liderança. Já o funcional ajuda a separar as principais áreas do negócio, como comercial, operações, atendimento e administrativo-financeiro. Os dois formatos podem ser combinados: a empresa organiza os cargos por função e os apresenta de cima para baixo.

O organograma horizontal pode fazer sentido quando existem poucos níveis hierárquicos e as equipes possuem autonomia para conduzir suas atividades. Ainda assim, é necessário deixar claro quem acompanha as entregas, quem pode aprovar decisões e quais assuntos precisam chegar à direção.

O modelo matricial tende a ser mais adequado para empresas que trabalham frequentemente com projetos envolvendo profissionais de diferentes áreas. Como uma mesma pessoa pode responder à liderança funcional e à coordenação de um projeto, esse formato exige responsabilidades e prioridades bem definidas. Sem essa clareza, podem surgir orientações conflitantes e dúvidas sobre qual demanda deve ser atendida primeiro.

A comparação abaixo ajuda a visualizar as diferenças:

ModeloQuando pode fazer sentidoPrincipal vantagemCuidado necessário
VerticalQuando cada pessoa possui uma liderança diretaFacilita a compreensão da hierarquiaEvitar níveis desnecessários e excesso de centralização
FuncionalQuando o trabalho pode ser agrupado por especialidadeDeixa mais clara a divisão entre as áreasEvitar que os setores trabalhem de forma isolada
HorizontalQuando há poucos níveis e maior autonomia das equipesSimplifica a representação da estruturaNão confundir autonomia com ausência de responsáveis
MatricialQuando as pessoas participam de projetos conduzidos por diferentes áreasFacilita a colaboração entre especialidadesDefinir prioridades e limites de autoridade

Antes de escolher, vale responder a algumas perguntas:

  • Cada pessoa possui uma única liderança direta?
  • As atividades podem ser agrupadas claramente por área?
  • A empresa trabalha continuamente com projetos interdepartamentais?
  • Existem lideranças intermediárias ou todas as decisões chegam aos sócios?
  • O principal objetivo é mostrar cargos, setores, projetos ou relações de autoridade?
  • A equipe conseguiria interpretar o desenho sem uma longa explicação?

As respostas ajudam a evitar uma escolha baseada apenas em tendências. Uma estrutura horizontal pode parecer mais moderna, mas não será adequada se todas as decisões continuarem concentradas na direção. Da mesma forma, um organograma matricial pode parecer mais completo, mas tende a gerar complexidade desnecessária quando cada pessoa possui apenas uma liderança.

Uma pequena empresa com direção, atendimento, vendas, operação e administração, por exemplo, pode começar com um modelo funcional apresentado verticalmente. As áreas aparecem separadas, enquanto as linhas mostram quem responde à direção ou a cada liderança.

Não é necessário representar todos os detalhes na primeira versão. O organograma deve facilitar a leitura da empresa, não reproduzir toda a sua rotina em uma única página.

Caso nenhum modelo consiga representar a operação sem criar muitas exceções, o problema pode não estar no desenho. Isso pode indicar que cargos, responsabilidades e relações de liderança ainda precisam ser revisados. Nessa situação, vale analisar a estrutura organizacional da empresa antes de finalizar o organograma.

O melhor modelo, portanto, é aquele que apresenta a organização com clareza, corresponde ao funcionamento real e pode ser atualizado conforme a empresa cresce.

Como montar o organograma de uma pequena empresa

Montar um organograma não deve começar pela escolha das cores, do formato das caixas ou da ferramenta que será usada. Antes de desenhar, é preciso entender como o trabalho está distribuído e como as decisões acontecem no dia a dia.

Quando essa análise é ignorada, o resultado pode até ficar visualmente organizado, mas representar uma empresa que só existe no papel. O objetivo deste passo a passo é justamente evitar isso.

Mapeie as atividades e decisões que existem hoje

Comece listando as principais atividades necessárias para a empresa funcionar. Considere tanto as tarefas diretamente relacionadas à entrega do produto ou serviço quanto aquelas que sustentam a operação.

Alguns exemplos são:

  • atendimento aos clientes;
  • prospecção e vendas;
  • elaboração de propostas;
  • execução ou produção;
  • compras e contratação de fornecedores;
  • faturamento e cobrança;
  • controle financeiro;
  • contratação e acompanhamento da equipe;
  • comunicação e marketing;
  • decisões sobre preços, investimentos e prioridades.

Nesse primeiro momento, não se preocupe em criar cargos ou departamentos. O foco é registrar o trabalho que realmente acontece.

Também vale identificar as decisões mais recorrentes. Quem autoriza uma compra? Quem aprova um desconto? Quem define os prazos? Quem resolve um problema com um cliente? Quem pode alterar a programação da equipe?

As respostas ajudam a enxergar onde a autoridade está concentrada e quais relações de liderança precisam aparecer no organograma.

O levantamento pode ser feito por meio de conversas com as pessoas envolvidas, observação da rotina e análise dos processos existentes. A Evectus reúne algumas ferramentas para organizar e otimizar processos que podem apoiar essa leitura da operação.

Agrupe as atividades por função ou área

Depois de listar as atividades, procure agrupá-las por finalidade ou especialidade. Tarefas ligadas à prospecção, elaboração de propostas e negociação, por exemplo, podem fazer parte da função comercial. Faturamento, pagamentos e controle do caixa podem ficar na área administrativo-financeira.

Uma pequena empresa não precisa transformar cada grupo em um departamento independente. O agrupamento serve primeiro para organizar o raciocínio e identificar as funções essenciais do negócio.

É possível chegar a uma divisão como:

  • direção;
  • comercial;
  • atendimento;
  • operações;
  • administrativo e financeiro;
  • marketing;
  • gestão de pessoas.

Essa configuração é apenas um exemplo. Uma indústria, uma clínica, um escritório e uma empresa de tecnologia podem precisar de agrupamentos muito diferentes.

Também é normal que uma mesma pessoa participe de mais de uma área. O importante, nesta etapa, é não juntar funções diferentes apenas porque atualmente são executadas pela mesma pessoa.

Separar as funções ajuda a enxergar o que a empresa precisa realizar, independentemente de quem ocupa cada posição hoje.

Defina cargos, responsabilidades e lideranças

Com as funções agrupadas, identifique quais cargos são necessários para assumir essas responsabilidades.

O nome do cargo deve ajudar a compreender seu papel. Títulos muito genéricos, como “assistente”, “analista” ou “responsável”, podem não ser suficientes quando aparecem sem a indicação da área ou da principal finalidade da posição.

Além do título, registre de maneira resumida:

  • a finalidade do cargo;
  • suas principais responsabilidades;
  • as decisões que pode tomar;
  • a quem essa posição responde;
  • quais pessoas ou atividades acompanha;
  • com quais áreas precisa interagir.

Não é necessário colocar todas essas informações dentro do organograma. O levantamento serve para validar a estrutura e pode ser aproveitado posteriormente na elaboração das descrições de cargos.

O Sebrae destaca a importância de descrições claras para definir responsabilidades e alinhar as funções aos objetivos da empresa.

Nesta etapa, também podem aparecer alguns pontos de atenção: duas posições responsáveis pela mesma decisão, tarefas importantes sem responsável ou cargos criados apenas para acomodar uma pessoa específica.

Esses achados não precisam ser escondidos para deixar o desenho mais bonito. Eles indicam aspectos da organização que precisam ser avaliados.

Estabeleça quem responde a quem

O próximo passo é definir as relações formais de liderança. Cada posição deve ter uma referência clara para orientação, acompanhamento e tomada de decisão.

Para isso, responda:

  • quem define as prioridades dessa função;
  • quem acompanha suas entregas;
  • quem fornece orientação em caso de dúvida;
  • quem avalia seu desempenho;
  • para quem são encaminhadas decisões que ultrapassam sua autonomia.

Em uma estrutura simples, uma pessoa costuma responder diretamente a uma liderança. Quando existem duas referências permanentes, como pode acontecer em estruturas matriciais, é necessário diferenciar claramente o papel de cada uma.

As linhas do organograma devem representar essas relações, e não apenas mostrar que duas pessoas conversam ou trabalham juntas. Se toda interação entre áreas virar uma conexão no desenho, a leitura ficará confusa.

A colaboração entre setores pode ser registrada em fluxos de processos, procedimentos ou matrizes de responsabilidades. No organograma, a prioridade é deixar visíveis as relações formais da estrutura.

Desenhe uma primeira versão simples

Somente depois das etapas anteriores é recomendável começar o desenho.

A primeira versão pode ser feita em uma folha de papel, quadro, planilha, apresentação ou ferramenta de diagramas. Aplicativos como Word, Excel e PowerPoint oferecem recursos de hierarquia e organograma por meio do SmartArt, enquanto ferramentas específicas permitem montar estruturas manualmente ou a partir de dados organizados.

Independentemente da ferramenta escolhida, alguns cuidados facilitam a leitura:

  • use o mesmo padrão visual para posições equivalentes;
  • mantenha os títulos dos cargos curtos;
  • diferencie áreas sem exagerar na quantidade de cores;
  • evite linhas cruzadas;
  • mantenha as relações de liderança fáceis de acompanhar;
  • divida o organograma por áreas quando houver informações demais em uma única página.

É possível incluir o nome de quem ocupa cada posição, mas o cargo deve continuar identificável. Assim, o documento mantém sua utilidade mesmo quando há mudanças na equipe.

Para uma pequena empresa, uma primeira versão com direção, áreas principais, cargos e relações de liderança já pode ser suficiente. Outros detalhes podem ser acrescentados somente quando contribuírem para a compreensão.

Valide o organograma com as pessoas envolvidas

Antes de considerar o documento pronto, apresente a primeira versão às lideranças e às pessoas que conhecem a operação.

A validação deve verificar se o desenho corresponde ao cotidiano. Algumas perguntas úteis são:

  • essa relação de liderança acontece de fato?
  • existe alguma função importante que não foi representada?
  • alguma responsabilidade aparece em mais de uma área?
  • alguém recebe orientações recorrentes de duas lideranças?
  • existem decisões que continuam sem responsável?
  • o desenho mostra a estrutura atual ou apenas a estrutura desejada?

Divergências nessa conversa são valiosas. Quando duas pessoas entendem uma responsabilidade de maneiras diferentes, provavelmente já existe um ponto de confusão na operação.

Depois da validação, faça os ajustes necessários e comunique o que foi definido. Um organograma guardado em uma pasta, sem explicação ou alinhamento com a equipe, dificilmente mudará a rotina da empresa.

Defina uma rotina de revisão

O organograma deve acompanhar mudanças relevantes na organização. Contratações, criação de áreas, alteração de lideranças, reorganização das responsabilidades e crescimento da equipe podem exigir uma atualização.

Não existe uma frequência universal. Uma empresa que está contratando e reorganizando a operação pode precisar revisar o documento com mais regularidade do que um negócio com estrutura estável.

Além das revisões programadas, vale atualizar o organograma sempre que ocorrer:

  • criação ou encerramento de uma área;
  • mudança na relação de liderança;
  • contratação para uma nova função;
  • transferência de responsabilidades;
  • reorganização societária ou da direção;
  • adoção de uma estrutura por projetos;
  • mudança que torne o desenho atual incorreto.

A documentação da Microsoft também recomenda atualizar os dados ou o próprio gráfico para refletir alterações na estrutura da organização.

Cada versão deve ter uma data de atualização e uma pessoa responsável por manter o documento. Dessa forma, a equipe sabe qual organograma está vigente e evita consultar modelos antigos.

Um bom organograma não precisa explicar toda a empresa. Ele precisa apresentar, com clareza, as posições existentes e as relações formais entre elas. Quando o levantamento anterior ao desenho é bem realizado, o documento deixa de ser uma coleção de caixas e passa a apoiar decisões sobre responsabilidades, liderança e crescimento.

Como representar quem exerce mais de uma função?

Em pequenas empresas, é comum que uma mesma pessoa cuide de atividades pertencentes a áreas diferentes. Um dos sócios pode liderar a operação e, ao mesmo tempo, acompanhar o financeiro. Alguém do atendimento pode também apoiar o comercial, enquanto outra pessoa acumula compras e rotinas administrativas.

Esse acúmulo não impede a criação do organograma. Pelo contrário: representá-lo de maneira clara ajuda a empresa a compreender como o trabalho está distribuído hoje e quais responsabilidades estão concentradas.

O ponto principal é separar pessoa, cargo e função.

A pessoa é quem realiza o trabalho. O cargo representa sua posição formal. Já a função corresponde ao conjunto de responsabilidades exercidas. Em alguns momentos, uma pessoa pode cumprir mais de um papel, especialmente enquanto a empresa está crescendo ou ainda não possui equipe suficiente para separar todas as atividades. A própria documentação da Microsoft sobre definição de responsabilidades reconhece que, inicialmente, uma pessoa pode exercer vários papéis, que podem ser refinados conforme a organização se desenvolve.

Imagine uma empresa com a seguinte situação:

  • Ana é sócia e responde pela direção;
  • também acompanha o controle financeiro;
  • Bruno é responsável pela operação;
  • Carla cuida do atendimento e apoia as vendas.

No organograma, não seria recomendável criar uma única caixa chamada “Direção e financeiro” apenas porque Ana executa as duas funções. Isso poderia esconder o fato de que direção e gestão financeira possuem finalidades, decisões e responsabilidades diferentes.

Uma alternativa mais clara seria representar as posições separadamente:

Direção geral — Ana

Responsável financeiro — Ana
Responsável por operações — Bruno
Atendimento e apoio comercial — Carla

Outra possibilidade é criar uma versão do organograma baseada somente em cargos e funções, sem os nomes das pessoas:

Direção geral

Financeiro | Operações | Atendimento | Comercial

Em um documento complementar, a empresa registra quem ocupa cada posição. Essa abordagem facilita a visualização da estrutura necessária para o negócio, mesmo que algumas funções sejam exercidas pela mesma pessoa naquele momento.

Quando o nome aparecer em mais de uma posição, pode ser acrescentada uma observação discreta, como:

  • função acumulada;
  • responsabilidade temporária;
  • posição atualmente exercida pela direção;
  • função compartilhada com outra área.

A observação deve descrever a situação sem criar a impressão de que o organograma, sozinho, resolve a sobrecarga ou formaliza definitivamente aquele arranjo.

Também é importante definir qual responsabilidade tem prioridade e a quem a pessoa responde em cada papel. Em uma pequena empresa, alguém pode exercer duas funções e continuar respondendo à mesma liderança. Em outros casos, cada papel pode envolver uma referência diferente.

Descrições claras devem indicar as tarefas, responsabilidades e relações de reporte associadas a cada posição. Isso ajuda a evitar que o acúmulo seja interpretado como uma autorização genérica para a pessoa resolver qualquer assunto das áreas envolvidas.

Para cada função acumulada, vale registrar:

  • quais são as principais responsabilidades;
  • quais decisões a pessoa pode tomar;
  • quais demandas precisam ser aprovadas;
  • a quem ela responde naquele papel;
  • quais entregas têm prioridade em caso de conflito;
  • quem pode assumir atividades em sua ausência.

Esses detalhes não precisam aparecer dentro das caixas do organograma. Eles podem ser registrados nas descrições dos cargos, em procedimentos internos ou em uma matriz de responsabilidades.

Não junte funções diferentes apenas para simplificar o desenho

Uma caixa com o título “administrativo, financeiro, compras e RH” pode até representar tudo o que uma pessoa faz, mas oferece pouca informação sobre a organização.

Ao agrupar várias funções dessa forma, a empresa perde a oportunidade de enxergar:

  • quantas responsabilidades estão concentradas;
  • quais atividades pertencem a áreas diferentes;
  • quais funções podem ser delegadas no futuro;
  • onde existe dependência de uma única pessoa;
  • que tipo de contratação ou reorganização pode ser necessária.

O organograma deve ser simples, mas não pode esconder a complexidade existente.

Separar as funções também ajuda a planejar o crescimento. Hoje, uma pessoa pode cuidar do financeiro e das compras. Mais adiante, o volume de trabalho pode justificar a transferência de uma dessas responsabilidades para outra posição.

Quando o acúmulo de funções merece atenção?

Exercer mais de uma função não significa, por si só, que a empresa esteja mal organizada. Em equipes pequenas, essa configuração pode fazer parte da realidade da operação.

O ponto de atenção aparece quando o acúmulo causa problemas como:

  • atrasos frequentes;
  • conflito entre prioridades;
  • decisões que dependem sempre da mesma pessoa;
  • atividades importantes que deixam de ser realizadas;
  • dificuldade para tirar férias ou se afastar;
  • falta de clareza para o restante da equipe;
  • concentração de informações e contatos;
  • ausência de alguém preparado para assumir a responsabilidade.

Nesses casos, o organograma ajuda a tornar a concentração visível, mas a solução pode exigir redistribuição das responsabilidades, revisão dos cargos, melhoria dos processos ou criação de novas posições.

Se várias caixas do documento apontarem repetidamente para uma única pessoa, vale avaliar se a estrutura organizacional da empresa ainda acompanha o volume e a complexidade da operação.

O objetivo não é produzir um desenho idealizado, no qual cada função possui uma pessoa exclusiva. O organograma deve mostrar a realidade com clareza e, ao mesmo tempo, permitir que a empresa identifique onde está sobrecarregada, dependente ou pronta para reorganizar o trabalho.

Exemplo de organograma para uma empresa pequena

Para visualizar como essa estrutura pode funcionar, considere uma pequena empresa de serviços com dez pessoas. O negócio possui dois sócios, uma equipe responsável pelo atendimento e pelas vendas, profissionais que executam os serviços e uma pessoa que cuida das rotinas administrativas e financeiras.

Um organograma simples poderia ser organizado assim:

Direção geral — Sócios

Comercial e atendimento

  • responsável comercial;
  • atendimento ao cliente.

Operações

  • responsável por operações;
  • equipe de execução.

Administrativo e financeiro

  • responsável administrativo-financeiro.

Nesse exemplo, a direção acompanha as três áreas principais. O responsável comercial organiza as oportunidades de venda e o relacionamento inicial com clientes. A liderança de operações coordena a execução dos serviços. Já a função administrativo-financeira cuida de faturamento, pagamentos, controles e atividades de suporte.

A estrutura poderia ser representada visualmente desta forma:

                         DIREÇÃO GERAL
                              |
          -------------------------------------------
          |                    |                    |
 COMERCIAL E ATENDIMENTO    OPERAÇÕES     ADMINISTRATIVO-FINANCEIRO
          |                    |
   ----------------        ------------
   |              |        |          |
COMERCIAL     ATENDIMENTO  LIDERANÇA   EQUIPE DE
                            OPERACIONAL EXECUÇÃO

Esse é apenas um exemplo ilustrativo. Os nomes das áreas e dos cargos precisam acompanhar a realidade de cada empresa. Um escritório contábil, uma clínica, uma indústria e uma agência de comunicação podem ter operações completamente diferentes, mesmo quando possuem equipes do mesmo tamanho.

Como mostrar uma pessoa que ocupa duas posições

Imagine agora que uma das pessoas sócias também seja responsável pelo financeiro. Em vez de eliminar a função financeira ou juntar tudo em uma única caixa, o organograma pode mostrar as duas posições separadamente:

                         DIREÇÃO GERAL
                     Ana e Roberto — sócios
                              |
          -------------------------------------------
          |                    |                    |
 COMERCIAL E ATENDIMENTO    OPERAÇÕES       RESPONSÁVEL FINANCEIRO
          |                    |                     Ana
      EQUIPE               EQUIPE DE
                          EXECUÇÃO

A repetição do nome de Ana deixa claro que ela exerce dois papéis: participa da direção e assume a responsabilidade financeira.

Essa representação é mais informativa do que criar uma caixa chamada “direção e financeiro”, pois mantém visíveis as duas funções. Caso a empresa contrate outra pessoa futuramente, a posição financeira já estará identificada e poderá ser transferida sem alterar toda a lógica do desenho.

O organograma pode mostrar a estrutura atual e a planejada

Em alguns casos, pode ser útil manter duas versões:

  • organograma atual: representa quem ocupa cada função hoje;
  • organograma planejado: mostra como a empresa pretende distribuir as responsabilidades após contratações ou mudanças internas.

As duas versões não devem ser confundidas. O documento utilizado pela equipe precisa indicar claramente qual estrutura está vigente. Já a versão planejada pode apoiar discussões sobre crescimento, delegação e necessidade de novas posições.

Por exemplo, uma empresa pode identificar que o responsável por operações também cuida das compras e da qualidade. No organograma atual, essas responsabilidades aparecem acumuladas. Na estrutura planejada, compras pode se tornar uma função separada quando o volume de trabalho justificar essa divisão.

O organograma planejado não deve ser tratado como uma promessa de contratação ou como uma estrutura já aprovada. Ele funciona como apoio para a tomada de decisão.

O que esse exemplo ainda não mostra

Mesmo bem organizado, o desenho não explica sozinho:

  • quais atividades pertencem a cada cargo;
  • quais decisões podem ser tomadas sem aprovação;
  • como um novo cliente passa do comercial para a operação;
  • quem acompanha prazos e indicadores;
  • como as áreas devem agir quando há um problema;
  • quais sistemas e documentos são utilizados.

Essas informações precisam aparecer em descrições de cargos, fluxos de trabalho, procedimentos e outros instrumentos de gestão.

Por isso, o exemplo deve ser usado como ponto de partida, não como modelo pronto para copiar. Antes de adotar qualquer estrutura, a empresa precisa comparar o desenho com suas atividades, responsabilidades e relações de liderança reais.

Erros comuns ao criar um organograma

Um organograma pode parecer correto à primeira vista e, ainda assim, não ajudar a empresa a compreender sua própria estrutura. Isso acontece quando o desenho prioriza a aparência, reproduz relações informais ou apresenta uma organização que não corresponde à rotina.

Conhecer os erros mais frequentes ajuda a transformar o documento em uma ferramenta de gestão, e não apenas em uma imagem para apresentações ou manuais internos.

Montar o organograma apenas com base nas pessoas atuais

Começar pelos nomes de quem trabalha na empresa pode limitar a análise. A tendência é criar posições que reproduzem exatamente a equipe disponível, mesmo quando algumas funções estão acumuladas ou não possuem responsável.

O ideal é identificar primeiro quais funções a empresa precisa desempenhar. Depois, os nomes podem ser associados às posições existentes.

Essa separação permite enxergar, por exemplo:

  • funções essenciais que ainda não têm responsável definido;
  • pessoas que ocupam mais de uma posição;
  • atividades distribuídas de maneira informal;
  • responsabilidades que poderão ser delegadas futuramente.

O organograma deve representar a organização do trabalho, não apenas a lista atual de profissionais.

Confundir cargo com lista de tarefas

Um cargo não deve ser criado para cada atividade realizada. Se isso acontecer, o desenho ficará detalhado demais e perderá sua função de oferecer uma visão geral da empresa.

Também não é recomendável inserir longas descrições dentro das caixas. Informações como tarefas, entregas, competências e limites de decisão pertencem à descrição do cargo ou a outros documentos de gestão.

No organograma, o título precisa ser suficiente para identificar a posição e sua relação com o restante da estrutura.

Criar níveis hierárquicos desnecessários

Adicionar coordenações, gerências ou diretorias sem uma necessidade real pode tornar a empresa mais burocrática no papel e confundir os caminhos de decisão.

Em uma equipe pequena, pode não fazer sentido criar vários níveis entre a direção e quem executa as atividades. Cada camada deve ter uma finalidade clara, como acompanhar uma equipe, tomar determinadas decisões ou coordenar uma área.

Um título mais elevado não resolve a falta de autoridade, responsabilidade ou definição do trabalho. Essas condições precisam existir na prática.

Colocar todas as decisões sob responsabilidade dos sócios

É comum que o primeiro organograma de uma pequena empresa revele que todas as áreas respondem diretamente aos sócios. Essa representação pode estar correta naquele momento, mas também pode evidenciar excesso de centralização.

Quando compras, descontos, contratações, prazos, atendimento e questões operacionais dependem sempre da direção, a empresa pode enfrentar lentidão e sobrecarga.

O erro não está em mostrar essa realidade. O problema é considerar o desenho finalizado sem avaliar quais decisões poderiam ser delegadas e quais responsabilidades precisam de maior autonomia.

Ignorar atividades sem responsável

Algumas tarefas importantes podem ser executadas somente quando alguém percebe a necessidade. Isso acontece com frequência em atividades como atualização de indicadores, organização de documentos, comunicação com clientes ou acompanhamento de fornecedores.

Ao montar o organograma, essas atividades podem desaparecer porque não pertencem formalmente a nenhuma posição.

O levantamento realizado antes do desenho deve ajudar a identificar essas lacunas. Caso uma responsabilidade seja necessária para a operação, é importante definir a qual função ela pertence, mesmo que ainda seja executada de forma compartilhada.

Representar uma estrutura idealizada

Outro erro é desenhar como a empresa gostaria de funcionar e apresentar essa versão como se já estivesse em vigor.

O documento pode mostrar áreas que ainda não existem, lideranças que não foram formalizadas ou responsabilidades que continuam concentradas em outras pessoas. Quando isso acontece, a equipe passa a consultar um organograma que contradiz a rotina.

Uma estrutura futura pode ser útil para o planejamento, desde que esteja claramente identificada como proposta. Para a comunicação interna, deve existir uma versão atualizada da estrutura vigente.

Usar linhas para representar qualquer interação

O fato de duas áreas trabalharem juntas não significa que uma responde à outra. Quando toda troca de informação é representada por uma linha, o desenho se transforma em uma rede difícil de interpretar.

As conexões principais do organograma devem mostrar relações formais de liderança, reporte ou responsabilidade. As interações entre setores podem ser detalhadas em fluxos de processos, procedimentos e matrizes de responsabilidades.

Quando a dificuldade está em compreender como as atividades passam de uma área para outra, pode ser necessário revisar a gestão dos processos empresariais, e não acrescentar mais conexões ao organograma.

Não validar o documento com a equipe

Um organograma criado apenas pela direção pode deixar de considerar como o trabalho realmente acontece. Pessoas que participam da operação podem identificar responsabilidades compartilhadas, relações informais de liderança e tarefas que não apareceram no levantamento inicial.

Validar não significa decidir tudo por votação. A definição da estrutura continua sendo uma responsabilidade de gestão. A consulta à equipe serve para encontrar inconsistências e compreender melhor a rotina antes da formalização.

Essa etapa também ajuda a explicar por que determinadas posições e relações foram representadas daquela forma.

Deixar o organograma desatualizado

Mudanças de cargo, novas contratações e reorganizações podem tornar o documento incorreto. Quando a equipe percebe que o organograma não acompanha a realidade, deixa de utilizá-lo como referência.

Para reduzir esse risco, é importante registrar:

  • a data da última atualização;
  • quem é responsável pelo documento;
  • onde está disponível a versão vigente;
  • quais mudanças exigem uma revisão.

Não é necessário redesenhar o organograma a cada ajuste de rotina. A atualização é necessária quando uma mudança altera cargos, áreas ou relações formais de liderança.

Tratar o organograma como solução para todos os problemas

O documento pode revelar centralização, sobreposição e falta de responsáveis, mas não resolve essas questões sozinho.

Depois de identificar um problema, a empresa pode precisar:

  • revisar responsabilidades;
  • elaborar descrições de cargos;
  • redesenhar processos;
  • definir níveis de autonomia;
  • organizar indicadores;
  • preparar lideranças;
  • ajustar sistemas e rotinas.

O organograma é uma parte da organização empresarial. Seu valor está em tornar a estrutura mais visível e apoiar conversas que antes aconteciam apenas com base em percepções individuais.

O organograma não substitui processos e responsabilidades bem definidos

O organograma mostra onde cada cargo ou área está posicionado e quais são as relações formais de liderança. Porém, ele não explica detalhadamente como o trabalho deve acontecer.

Duas empresas podem apresentar organogramas muito parecidos e funcionar de maneiras completamente diferentes. Em uma delas, a passagem de uma venda para a operação pode ter responsáveis, prazos e critérios bem definidos. Na outra, as informações podem circular por mensagens informais, depender da memória das pessoas e gerar dúvidas sempre que surge uma situação fora da rotina.

As caixas e linhas do desenho não conseguem mostrar sozinhas:

  • quais atividades pertencem a cada cargo;
  • quem executa, aprova ou acompanha cada tarefa;
  • quais decisões podem ser tomadas sem consultar a direção;
  • como uma demanda passa de uma área para outra;
  • quais informações precisam acompanhar cada etapa;
  • quais prazos, padrões e indicadores devem ser observados;
  • o que deve acontecer quando existe uma falha ou exceção.

Por isso, o organograma precisa estar conectado a outros instrumentos de gestão.

Descrição de cargos

A descrição de cargos detalha a finalidade de cada posição, suas principais responsabilidades, a quem ela responde e quais decisões pode tomar.

Enquanto o organograma apresenta a visão geral da estrutura, a descrição ajuda cada pessoa a compreender o que se espera de sua atuação.

Sem esse complemento, uma caixa chamada “responsável por operações”, por exemplo, pode ter interpretações diferentes. Essa posição acompanha prazos? Distribui atividades? Aprova compras? Avalia a qualidade das entregas? Decide sobre mudanças na programação?

Essas respostas não devem depender apenas do conhecimento informal de quem já trabalha na empresa.

Mapeamento de processos

O mapeamento de processos mostra como as atividades se conectam para produzir uma entrega. Ele acompanha o fluxo do trabalho entre pessoas, áreas, documentos e sistemas.

Em um processo comercial, por exemplo, o organograma informa quem lidera a área. Já o fluxo pode mostrar:

  1. quem recebe o contato;
  2. quem identifica a necessidade do cliente;
  3. quem prepara a proposta;
  4. quem pode conceder descontos;
  5. quem registra a aprovação;
  6. como a demanda é encaminhada para a operação.

Essa representação permite encontrar atrasos, retrabalho, etapas duplicadas e pontos excessivamente dependentes de uma única pessoa.

Quando os problemas aparecem justamente na passagem de uma atividade para outra, acrescentar mais linhas ao organograma não costuma resolver. É necessário observar o fluxo completo. O artigo sobre as consequências da falta de gestão de processos aprofunda os impactos que essa ausência de organização pode provocar na rotina e nos resultados da empresa.

A Evectus também apresenta ferramentas para organizar e otimizar processos empresariais, incluindo recursos de modelagem que ajudam a representar e analisar os fluxos de trabalho.

Definição das responsabilidades

Mesmo com cargos descritos e processos mapeados, algumas atividades podem envolver várias pessoas. Nesses casos, é importante deixar claro quem:

  • executa a tarefa;
  • responde pelo resultado;
  • precisa ser consultado;
  • deve ser informado;
  • possui autoridade para aprovar uma decisão.

Essa definição evita situações em que duas pessoas acreditam ter a palavra final ou, no extremo oposto, nenhuma reconhece a atividade como sua responsabilidade.

Ela também ajuda a diferenciar participação de autoridade. Uma área pode colaborar com uma decisão sem ser responsável por aprová-la. Da mesma forma, uma liderança pode acompanhar os resultados sem executar todas as tarefas da equipe.

Indicadores e acompanhamento

O organograma indica quem ocupa uma posição, mas não define como o desempenho daquela função ou área será acompanhado.

Para isso, a empresa precisa estabelecer indicadores coerentes com seus objetivos e com a responsabilidade de cada setor. A área comercial pode acompanhar oportunidades e conversões, enquanto a operação observa prazos, capacidade e qualidade das entregas. Os indicadores exatos dependem da realidade de cada negócio.

O mais importante é evitar métricas sem responsável. Cada indicador precisa ter alguém encarregado de acompanhar os dados, analisar desvios e encaminhar as ações necessárias.

Estrutura e processos precisam conversar

Uma área pode estar perfeitamente representada no organograma e, ainda assim, participar de processos confusos. Também é possível ter um fluxo bem desenhado que dependa de cargos inexistentes ou de uma autoridade que nunca foi formalizada.

Por isso, estrutura e processos devem ser analisados em conjunto.

A própria metodologia apresentada pela Evectus trabalha com quatro pilares relacionados: estrutura, processos, tecnologias e pessoas. Nessa perspectiva, organizar uma empresa envolve mais do que definir posições hierárquicas; é necessário observar como o trabalho circula, quais recursos o sustentam e quem assume cada responsabilidade.

O organograma cumpre uma função importante: oferece uma visão rápida da organização e torna visíveis as relações formais. Seu melhor resultado aparece quando essa visão está alinhada às descrições dos cargos, aos processos reais e aos critérios utilizados para acompanhar o trabalho.

Quando o organograma precisa virar um projeto de estrutura organizacional?

Em alguns casos, organizar as caixas, os cargos e as linhas de liderança é suficiente para esclarecer como a empresa está estruturada. Em outros, o processo de criação do organograma revela problemas que não podem ser resolvidos apenas com um novo desenho.

Isso acontece porque o documento representa a estrutura existente, mas não define sozinho como ela deveria funcionar. Quando surgem muitas dúvidas, exceções e responsabilidades sobrepostas, pode ser necessário revisar a organização de forma mais ampla.

Alguns sinais merecem atenção.

As responsabilidades continuam confusas

Depois de montar o organograma, a equipe ainda não sabe quem deve aprovar determinadas decisões, acompanhar entregas ou resolver problemas específicos.

Nesse caso, a dificuldade pode estar na definição dos cargos, nos níveis de autonomia ou na distribuição das responsabilidades. Acrescentar nomes e linhas ao documento tende apenas a deixar o desenho mais complexo.

Existem funções duplicadas ou sem responsável

O levantamento pode revelar duas áreas realizando atividades semelhantes sem coordenação entre elas. Também pode mostrar tarefas importantes que não pertencem formalmente a nenhum cargo.

Essas situações aumentam o risco de retrabalho, atrasos e conflitos. Antes de concluir o organograma, é necessário decidir onde cada responsabilidade deve ficar e como as áreas envolvidas trabalharão juntas.

Todas as decisões permanecem concentradas na direção

Se cada área aparece ligada diretamente aos sócios e nenhuma liderança possui autonomia, o organograma pode estar mostrando um gargalo da operação.

Essa centralização costuma dificultar a delegação e fazer com que assuntos operacionais disputem a atenção da direção com decisões estratégicas. A revisão da estrutura pode ajudar a definir quais responsabilidades devem continuar com os sócios e quais podem ser assumidas por outras posições.

Criar uma gerência no desenho, porém, não resolve o problema automaticamente. A nova liderança precisa ter atribuições, autoridade e critérios de decisão claramente estabelecidos.

As lideranças estão sobrecarregadas

Uma única pessoa pode aparecer responsável por muitas áreas, equipes ou decisões. Esse acúmulo pode fazer parte de uma fase do negócio, mas precisa ser analisado quando começa a comprometer o acompanhamento das pessoas e das entregas.

O organograma ajuda a visualizar a concentração. A reorganização exige avaliar volume de trabalho, competências necessárias, possibilidades de delegação e eventuais necessidades de contratação.

A empresa cresceu sem redefinir seus papéis

É comum que uma pequena empresa mantenha por muito tempo a mesma distribuição de responsabilidades adotada no início do negócio.

Com o crescimento, novas pessoas e atividades são incorporadas, mas as decisões continuam dependendo dos mesmos profissionais. Os cargos deixam de refletir o trabalho realizado e surgem lideranças informais que não aparecem na estrutura oficial.

Quando isso acontece, atualizar os nomes no organograma não é suficiente. A empresa precisa reavaliar as áreas necessárias, os papéis de cada posição e as relações entre elas.

O desenho formal não corresponde à rotina

O organograma pode indicar que uma pessoa responde a determinada liderança, enquanto, na prática, recebe orientações de outra. Também pode mostrar uma área independente que depende continuamente de decisões tomadas por outro setor.

Essa diferença entre estrutura formal e funcionamento cotidiano gera insegurança. As pessoas não sabem qual orientação priorizar, e a responsabilidade pelos resultados se torna difícil de identificar.

A validação com a equipe ajuda a encontrar essas divergências. Depois, cabe à gestão decidir se a rotina deve ser ajustada ao modelo formal ou se o organograma precisa ser redesenhado para representar melhor a operação.

Processos e sistemas não acompanham a estrutura

Mesmo quando os cargos estão claros, a empresa pode enfrentar dificuldades na passagem do trabalho entre as áreas. Informações se perdem, aprovações acontecem fora dos sistemas e cada equipe utiliza um método diferente de acompanhamento.

Nessas situações, o projeto precisa considerar também os processos e as tecnologias utilizados. A metodologia apresentada pela Evectus relaciona quatro pilares da gestão empresarial: estrutura, processos, tecnologias e pessoas. A análise conjunta ajuda a evitar mudanças isoladas que não resolvem a origem do problema.

O organograma se tornou difícil de explicar

Quando o desenho exige muitas linhas pontilhadas, exceções, observações e posições compartilhadas, isso pode indicar que a própria organização precisa ser simplificada.

Nem toda estrutura complexa está errada. Empresas que trabalham por projetos ou possuem operações muito especializadas podem precisar de relações diferentes. O ponto de atenção aparece quando nem as pessoas envolvidas conseguem explicar com segurança quem responde por cada resultado.

Nesses casos, vale voltar às perguntas essenciais:

  • quais atividades são necessárias;
  • quem responde por cada resultado;
  • onde as decisões devem acontecer;
  • quais áreas precisam trabalhar juntas;
  • que nível de autonomia cada posição deve possuir;
  • como a estrutura contribui para os objetivos da empresa.

A revisão pode envolver descrições de cargos, redistribuição de responsabilidades, reorganização das áreas, definição de lideranças e alinhamento dos processos.

A Evectus apresenta o desenvolvimento organizacional como um trabalho de modelagem de estruturas voltado à produtividade e ao desempenho de pessoas e setores. Esse tipo de projeto começa pela compreensão da situação da empresa e deve considerar as necessidades reais da operação, em vez de aplicar um organograma padronizado.

Quando o desenho revela mais perguntas do que respostas, ele já cumpriu uma função importante: tornou visíveis problemas que antes estavam dispersos na rotina. A partir daí, o próximo passo é transformar essa leitura em decisões sobre responsabilidades, liderança e organização do trabalho.

Um organograma claro começa pela realidade da empresa

Criar um organograma empresarial não significa apenas organizar cargos em caixas. O documento precisa representar como as responsabilidades, as lideranças e as decisões estão distribuídas no dia a dia.

Para uma pequena empresa, um modelo simples costuma ser suficiente, desde que mostre com clareza quem responde por cada área e como as funções se relacionam. Quando uma mesma pessoa ocupa posições diferentes, essa realidade pode ser representada sem esconder o acúmulo. Quando existem responsabilidades confusas, centralização ou atividades sem responsável, o próprio processo de montagem ajuda a tornar esses pontos visíveis.

Também é importante lembrar que cada empresa possui uma operação diferente. Copiar um modelo pronto pode ajudar a visualizar o formato, mas não substitui o levantamento das atividades, dos processos e das necessidades reais do negócio.

Se o organograma revelou sobrecarga, funções duplicadas, decisões concentradas ou dúvidas sobre a estrutura, pode ser o momento de avaliar a organização de forma mais ampla.

A Evectus atua no desenvolvimento organizacional e na modelagem de estruturas alinhadas aos processos, às tecnologias e às pessoas da empresa. Precisa organizar as responsabilidades e criar uma estrutura mais clara para o seu negócio? Converse com a equipe da Evectus pelo WhatsApp e apresente o cenário da sua empresa.

Referências bibliográficas

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